2019

Fantasia Lusitana

Na órbita de Eduardo Brito

Na secção de produção portuguesa, um programa em volta dos filmes escritos e realizados por Eduardo Brito, onde se incluem duas curtas-metragens em ante-estreia, sendo Úrsula resultado de uma encomenda do Observatório de Cinema. Curtas e uma longa escritas, onde as memórias, as palavras e os dispositivos, são domados pela ficção e pelo tempo. Nos filmes realizados, Eduardo Brito, também fotógrafo, relevo para o peso do enquadramento, para a importância atribuída ao texto (e à narração) e pela predilecção por lugares singulares e distópicos, tomados pelo tempo.(VR)

Entre a escrita, a fotografia e o cinema, os trabalhos de Eduardo Brito têm explorado os temas verdade-ficção-memória, bem como a relação texto-imagem: assim por exemplo com os livros As Orcadianas (2014) e East Ending (2017) e com as séries fotográficas Un Samedi Sur Terre (2017) e Histórias Sem Regresso (2018). Escreveu o argumento das curtas O Facínora (Paulo Abreu, 2012), A Glória de Fazer Cinema em Portugal (Manuel Mozos, 2015) e O Homem Eterno (Luís Costa, 2017) e, com Rodrigo Areias, da longa Hálito Azul (2018). Realizou as curtas metragens Penúmbria (2016) e Declive (2018). Eduardo tem o mestrado em Estudos Artísticos, Museológicos e Curadoriais pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com a dissertação Claro Obscuro – Em Torno das Representações do Museu no Cinema.

Eduardo Brito - Videoclips e Filmes Experimentais

de Eduardo Brito
13-10 17h00
(café-concerto)
Presença de Eduardo Brito
inclui ante-estreias

Projecção com conversa dos videoclips Maasai (2016, de Surma), Shoes For Man With No Feet (2014, de First Breath After Coma) e das curtas experimentais Where's Your Memory (2017), As Simultâneas (2015, co-autoria com Rita Medinas Faustino), Linha (2013).

Eduardo Brito - Curtas Realizadas

de Eduardo Brito
13-10 18h00
(PA)
Presença de Eduardo Brito

Projecção das curtas metragens realizadas por Eduardo Brito, incluindo ante-estreias, Sendo Ursula uma encomenda do Close-up.

Penúmbria (2016, 9 min) - Penúmbria foi fundada há duzentos anos num extremo de difícil acesso. De solos áridos, mares revoltados e clima violento, ficou a dever o seu nome à sombra e à nebulosidade quase permanentes. Até que um dia, os seus habitantes decidiram entregá-la ao tempo. Esta é a história de um lugar inabitável. Declive (2018, 7 min) - Depois, uma casa vai parecer esperar-te: como num declive, esta é uma história inclinada sobre a memória dos lugares e das coisas, sobre regressos e recomeços. Úrsula (2019, 8 min) - Entre a cidade mais a norte do mundo, numa longa noite polar, e um lugar a sul, numa manhã nevoenta de Verão, acontece um sonho e todas as suas dúvidas. La Ermita (2019, 4 min) - Uma voz interpela o viajante: tu nunca foste a La Ermita, mas eu tenho a certeza que já lá estiveste. Quando?

Hálito Azul

de Rodrigo Areias
16-10 18h30
(PA)
Presença de Eduardo Brito e Rodrigo Areias
(Portugal, ficção, 2018, 75 min) M/12

Esmagada contra o oceano pela encosta de um vulcão, a vila piscatória da Ribeira Quente na ilha de S. Miguel nos Açores vive os últimos dias de uma actividade piscatória tal como a conhecemos. A vida continua mesmo com o peixe a escassear: todos lutam por dias normais e nem a presença de uma observadora das pescas parece interferir na recatada comunidade, habituada a lutar pela sobrevivência. O guião de Hálito Azul foi escrito por Eduardo Brito, realizador em foco na secção de produção portuguesa.

Eduardo Brito - Curtas Escritas

19-10 18h30
(PA)
Presença de realizadores e Eduardo Brito

Projecção das curtas metragens escritas por Eduardo Brito, com a presença dos realizadores.

O Facínora (Paulo Abreu, 2012, 25 min) - Duas são as formas de ver O Facínora: uma, como a história de um frade justiceiro, zelador da ordem e paladino do bem, que, por não ser correspondido pelos amores de uma mulher comprometida, se torna num vilão aterrorizador de uma pacata cidade. Outra, como o filme perdido de Conrad Wilhelm Meyersick, um engenheiro e cineasta amador alemão que, em 1920, esteve em Guimarães, uma pequena cidade do norte de Portugal, para instalar três máquinas de tecelagem e que durante a sua estadia, filmou esta história.

A Glória de Fazer Cinema em Portugal (Manuel Mozos, 2015, 15 min) - A 18 de Setembro de 1929, José Régio escreveu uma carta a Alberto Serpa onde manifestou a vontade de fundar uma produtora para começar a fazer cinema. Para isso, pediu-lhe que contactasse um amigo seu, que teria uma câmara de filmar. Durante quase noventa anos, nada se soube sobre o desfecho deste pedido: nunca se encontrou qualquer resposta de Serpa à carta e Régio não terá voltado a mencionar o assunto. Porém, a descoberta de velhas bobines no espólio de um coleccionador, parece conter o desfecho desta história.

O Homem Eterno (Luís Costa, 2017, 15 min) - Bernardino Fernandes emigrou para o Canadá em 63. Ao longo de duas décadas filmou centenas de bobines Super 8, organizando-as de forma metódica e obsessiva. O Homem eterno termina um processo antigo, transformando a vontade de cinema de Bernardino num filme sobre as imagens da sua memória.

Laboratório (Fernando José Pereira, 2018, 40 min) - As ruínas de uma fábrica abandonada e os artefactos esquecidos, deixados para trás, surgem em O Laboratório como um registo visível da passagem do tempo e de uma degradação fatalista, em que o vazio é sinal evidente da transformação de uma utopia em distopia.