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4º Episódio - O Tempo

O Tempo é a perspectiva que escolhemos como mote para a quarta edição do Close-Up. O Tempo que passa e o Tempo do Cinema. Do Observatório, cenário para múltiplos olhares, a história desenrola-se perante os nossos olhos, e o Cinema, como máquina que permite deslocamentos no tempo, lança-nos na espiral complexa das histórias do passado e do futuro, projectadas no presente: da delicadeza de Agnès Varda a filmar, com uma câmara digital, numa mão a passagem do tempo, às descontinuidades de O Acossado de Jean-Luc Godard, montagem para um tempo indeterminado e para sensações de outra realidade.

Nas noites de abertura e encerramento, dois filmes-concerto apresentados em estreia, duas encomendas que resultaram em músicas originais, da Orquestra Jazz de Matosinhos e dos Mão Morta, para dois filmes, sopros notáveis do cinema russo: O Couraçado Potemkine de Serguei Eisenstein e A Casa na Praça Trubnaia de Boris Barnet. Para dois grandes autores do nosso tempo - Quentin Tarantino e Brillante Mendoza - encontramos espaço para duas sessões especiais: o acerto da História do fim dos sessentas com Era Uma Vez em… Hollywood e do cineasta de Lola, a ante-estreia de Alpha: Nos Bastidores da Corrupção, cinema humanista nas Filipinas, território de todas as desigualdades.

As Paisagens Temáticas – O Tempo, secção-mote do Close-up, preenchem-se de ficção e documentário, de produção contemporânea, um panorama como um livro do nosso tempo. Um dos eixos do programa dispõe-se nas Histórias do Cinema, Um Passeio pelo Cinema Francês, com centro na nouvelle vague, e raio que se estende no tempo, para trás e para diante, com dois protagonistas – Agnès Varda e Jean-Luc Godard, mas que inclui outros nomes que inquietaram a produção da época, cineastas que perduram como modelos: Jean-Pierre Melville, Sacha Guitry, Max Ophüls, Georges Franju ou Louis Malle.

A Fantasia Lusitana, secção de produção portuguesa, estará Na Órbita de Eduardo Brito, um programa em volta dos filmes escritos e realizados pelo cineasta-fotógrafo, onde se incluem duas curtas-metragens em estreia, sendo Úrsula resultado de uma encomenda do Observatório de Cinema. O cinema de terror norte-americano tem incorporado os temas e os medos destes tempos, um cinema de texturas e discursos que nos chega pela lente de novos autores, espíritos deste tempo, na observação de um mundo difuso, na secção Medo e Terror na América: que fantasmas venham ao nosso encontro na sala escura.

No coração do Close-up, um extenso programa de Cinema para as Escolas: dez sessões, divididas entre os auditórios da Casa das Artes, dos Agrupamentos de Escolas, da ACE – Escola de Artes de Famalicão, da OFICINA e da Universidade do Minho, direccionadas para todos os escalões etários, incluindo animação e documentário, oficinas e uma masterclasse de Pedro Serrazina. Ao abrigo do Café Kiarostami, o foyer e o café-concerto apresentarão música, a poesia de João César Monteiro e uma mesa redonda que, motivada pelas alterações proporcionadas pelo tempo, debaterá A História do Espectador e da Cinefilia. No primeiro Toy Story ouvia-se Hakuna Matata!: 24 anos depois, as Sessões para Famílias cruzam o tempo e juntam gerações com a exibição de Toy Story 4 e a versão live action de O Rei Leão.

O cineasta João Canijo a comentar o trabalho com os actores de Mike Leigh em Segredos e Mentiras ou o pianista Filipe Raposo no encontro com o trompete de Miles Davis em Fim de Semana no Ascensor: as sessões comentadas estendem-se por todo o programa de 40 sessões em oito dias, na Famalicão Cidade Cinema: seja um dos viajantes da quarta dimensão do Close-up, à aventura na experiência do tempo do Cinema.