Animação, ficção e documentário, oficinas e sessões comentadas: um programa diversificado, com propostas divididas pelos auditórios da Casa das Artes e pelas escolas, e direcionadas para todos os graus de ensino, do ensino básico até ao universitário, em diálogo com os vários Agrupamentos de Escolas do concelho, mas também com a participação das escolas profissionais, designadamente a ACE – Escola de Artes de Famalicão (para alunos de Teatro e Dança), a Universidade do Minho (em parceria com a Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas) e o ensino superior de Cinema, designadamente a Escola Superior Artística do Porto (ESAP), onde se realizará a masterclasse da cineasta Margarida Cardoso, um dos destaques do programa.
Sessões que ambicionam estender-se para lá da sala de projeção e enriquecer as vivências da escola, enquanto se formam espectadores de cinema, em diálogo com a restante programação do Close-up, sob o tema Domicílio Conjugal.

No final dos anos 60, Evita chega a Moçambique para casar com Luís, um estudante de matemática que ali cumpre o serviço militar. Evita rapidamente se apercebe que Luís já não é o mesmo e que, perturbado pela guerra, se transformou num triste imitador do seu capitão, Forza Leal. Perdida num mundo que não é o seu, Evita apercebe-se da violência de um tempo colonial à beira do fim. Uma adaptação do romance homónimo de Lídia Jorge, que aborda um momento ainda doloroso e com muitas feridas abertas da História de Portugal.

A partir do visionamento de A Costa dos Murmúrios (2004) e do recentemente estreado Banzo, a cineasta Margarida Cardoso dialogará com os alunos da Escola Superior Artística do Porto em torno da sua filmografia, designadamente sobre a temática das heranças coloniais.
Margarida Cardoso viveu em Moçambique até aos doze anos. Estudou Imagem e Comunicação Audiovisual na escola António Arroio, em Lisboa. Trabalhou vários anos em França e Portugal como fotógrafa e assistente de realização. Entre 1982 e 1995 trabalhou como anotadora e assistente de realização em mais de 50 filmes portugueses e estrangeiros. É desde 2005 professora do curso de Cinema, Vídeo e Comunicação Multimédia da Universidade Lusófona de Lisboa. O seu trabalho como realizadora começou em 1995, explorando temas que cruzam as suas experiências históricas pessoais e questões pós-coloniais proeminentes na história recente de Portugal, como a revolução portuguesa e a guerra colonial em África. O seu trabalho prévio inclui ficção e documentário, dos quais destacamos as longas-metragens "Yvone Kane" (2015), "A Costa dos Murmúrios" (Festival de Veneza, 2004), ou o documentário "Kuxa Kanema – O Nascimento do Cinema" (FIDMarseille e Visions du Réel, 2003). A sua mais recente longa-metragem é a ficção Banzo (2025).

Depois de uma tragédia que lhe roubou a vontade de viver, Rita decide voltar a África, ao país onde cresceu, e reencontrar Sara, a sua mãe. Enquanto Sara vive os últimos dias da sua vida procurando encontrar um sentido para o seu passado, Rita decide investigar o percurso de Yvone Kane, uma ex-guerrilheira e activista política cuja coragem e determinação marcou várias gerações e cuja morte nunca ficou esclarecida. Porém, apesar dos esforços, nenhuma das duas parece conseguir a redenção de que necessita. Um filme escrito e realizado por Margarida Cardoso, que conta com Irene Ravache, Beatriz Batarda, Gonçalo Waddington, Mina Andala e Samuel Malumbe nos principais papéis.

Um gato preto deambula por uma floresta quando é surpreendido por uma inundação. Na luta pela sobrevivência, encontra refúgio num barco à deriva. Dentro da embarcação vai encontrar uma capivara, um cão, um secretário e um lémure com quem segue viagem por cidades semi-submersas, num mundo destituído de seres humanos. Estreado mundialmente na secção "Un Certain Regard" do Festival de Cinema de Cannes, esta história animada, sem diálogos e de teor ambientalista, recebeu o Oscar na categoria de animação, o Globo de Ouro, assim como os prémios do Júri e o do Público no Festival de Annecy.

Souleymane é um jovem guineense que trabalha como estafeta da Uber em Paris enquanto se prepara para um dos momentos mais importantes da sua vida: a entrevista que possibilitará obter o estatuto de imigrante e que lhe abrirá caminho para concretizar os seus sonhos. Mas ter tempo e equilíbrio mental para tentar a legalização, enquanto gasta quase todas as horas do dia a trabalhar ou em busca de uma vaga para dormir num qualquer centro de apoio a sem-abrigo, revela-se tremendamente difícil. Um drama realista realizado pelo francês Boris Lojkine, também responsável por “Hope” (2014) e “Camille” (2019), que escreve o argumento a quatro mãos com Delphine Agut. Pela sua interpretação neste filme, o estreante Abou Sangar recebeu o prémio de melhor actor na secção “Un Certain Regard" do Festival de Cannes.

Arquiteturas imaginadas" reúne animações que não só estimulam a imaginação dos mais novos, como também os introduzem à importância dos espaços que habitamos, à forma como os construímos e ao impacto que podem ter nas nossas vidas. Através de histórias como "Lar Doce Lar", em que uma casa decide mudar de lugar, ou "No Fim do Mundo", onde os moradores de uma casa precariamente equilibrada enfrentam o caos diário, os nossos pequenos espectadores são convidados a refletir sobre o papel da arquitetura no nosso dia-a-dia. Com personagens como o Rapaz Bolota, que descobre um novo mundo a partir da floresta, ou Aleksander, o último tricotador de uma aldeia flutuante, estas curtas-metragens ajudam a promover uma sensibilidade espacial, emocional e ecológica desde cedo.

O Rapaz e a Coruja (Portugal, animação, 2018, 12 min)
Eu escrevi uma história, inspirada nos desenhos do meu amigo Pedro Ferreira, história essa que desenvolve os ambientes gráficos sugeridos pelos seus desenhos. A seguir inventei personagens que povoam esses ambientes gráficos. A história desta curta é contada sem recurso a diálogos ou voz de narração, apostando nas vertentes visuais e sonoras mais cinematográficas. A infância, a solidão, a liberdade e o arrependimento, são alguns dos temas abordados (Mário Gajo de Carvalho).
Mário Gajo de Carvalho é formado em Artes Plásticas e Cinema. Realizou vários filmes premiados, como Os Milionários, O Rapaz e a Coruja ou Circus Movements, que foram selecionados para festivais internacionais como Ann Arbor, Melbourne MIFF, Vienna Shorts, Guadalajara, Indielisboa. Também produziu vários filmes, através da produtora Filmes do Gajo, que foram selecionados para festivais internacionais e receberam mais de 90 prémios. Tem trabalho como programador nos festivais de cinema NYCIndieFF e Slamdance nos EUA.

Retratos Fantasmas é um filme de Kléber Mendonça Filho (“Bacurau”, “Aquarius” e “Som ao Redor”). Fruto de sete anos de trabalho e pesquisa, filmagens e montagem, o filme traz o espaço histórico e humano como o personagem principal, revisitando-o através dos grandes cinemas que serviram como espaços de convívio durante o século XX. Como em tantas outras cidades do mundo ao longo do século XX, milhões de pessoas foram ao cinema no centro do Recife. Com a passagem do tempo, as ruínas dessas grandes salas revelam algumas verdades sobre a vida em sociedade. Composto em grande parte por material de arquivo, usa fotografias e imagens em movimento encontradas em acervos pessoais. Estreado no Festival de Cannes, em 2023.

Segunda sessão:
21-01-2026, 10h00, Casa das Artes
Os criminosos preferidos de toda a gente estão de volta e, desta vez, têm companhia. No novo capítulo repleto de ação da aclamada comédia da DreamWorks Animation sobre um grupo de animais fora da lei, os nossos Mauzões, agora reformados, estão a tentar (com muita, muita força) ser bons, mas em vez disso vêm-se envolvidos num assalto de alto risco, a nível mundial, planeado por uma nova equipa de criminosos que nunca imaginaram: As Mazonas.

Nicolau tem 24 anos e vive em Lisboa com os pais. Consumido por um desgosto amoroso e pela frustração de ver adiado o sonho de se tornar músico profissional, sente-se encurralado num impasse do qual não encontra saída. Mas tudo muda quando descobre que também a mãe – até aí uma figura silenciosa – está profundamente insatisfeita com a sua própria existência. Esta constatação provoca em Nicolau um abalo que o leva a olhar para dentro de si mesmo e a reavaliar a sua vida. Movido por uma necessidade de mudança, Nicolau arranja um emprego, muda-se para uma nova casa que partilha com amigos e encontra uma paixão inesperada, que lhe devolve a sensação de que a vida pode, afinal, ser luminosa. Um drama realizado por João Rosas ("A Morte de Uma Cidade"), com as actuações de Francisco Melo, Cécile Matignon, Francisca Alarcão, Ângela Azevedo, Federica Balbi, Margarida Dias e Gemma Tria.

Segunda sessão:
17-03-2026, 10h00, Teatro Narciso Ferreira
Com treze anos, Ben inicia um novo ano lectivo e começa a perceber as mudanças nos seus colegas. Claire, por quem nutre uma paixão discreta, parece estar ainda mais bonita, e Ben gostaria de ser visto com outros olhos. Mas, infelizmente, o excesso de peso continua a ser um obstáculo para a forma como se vê a si próprio e aos outros. Decidido a mudar, Ben inicia uma dieta exigente, contando com o apoio da sua alegre família e de Claire, Eric e Sónia, os seus melhores amigos. Juntos, os adolescentes decidem formar uma banda para o espectáculo de Natal, numa experiência que os ajudará a ganhar confiança em si próprios e a enfrentar os enormes desafios da adolescência. Realizado por Kristina Dufková e escrito por Petr Jarchovský, “Viver em Grande” é uma animação franco-checa-eslovaca sobre amizade e aceitação. A dobragem em português contou com Alexandre Carvalho, Carolina Salles, Gonçalo Lima, André Ramos e Tiago Peralta.

Aurora (Joana Santos) deixou família e amigos em Portugal e emigrou para a Escócia, na esperança de dar um novo rumo à sua vida. Mas as coisas não correm como o esperado e, depois de tantas horas dedicadas ao trabalho, ela vê os seus dias tornarem-se vazios. Sem ligações humanas que a ajudem a contornar a monotonia, tenta sobreviver a cada fim do mês com o parco dinheiro que lhe sobra. Estreado mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Toronto (Canadá), On Falling esteve em competição no Festival de San Sebastián (Espanha), onde recebeu o prémio de melhor realização. Produzido pela Sixteen Films, a produtora do cineasta Ken Loach, este drama sobre emigração e alienação foi realizado e escrito pela portuguesa radicada em Edimburgo Laura Carreira.