Cinema na Cidade

Numa edição adaptada às condicionantes que vivemos, para salvaguardar a segurança dos espectadores, mas sem abdicar da importância da relação do público com a sala de cinema, a quinta edição do Close-up projecta-se orientada pelas relações do Cinema com a Cidade, no habitual encontro entre ficção e documentário, produção contemporânea e história do Cinema.

Um dos destaques do programa são os filmes-concerto, reiterando o trabalho de criação no cruzamento de linguagens, nas sessões de abertura e encerramento: o rock corpulento dos Black Bombaim e a eléctronica de Luís Fernandes, na apresentação de uma banda sonora original e em estreia para A Idade de Ouro, o manifesto surrealista de Buñuel; será a voz de Cristina Branco e as novas formas do fado que sublimarão o encontro dos amantes em The River, poderoso exemplar da filmografia de Frank Borzage, um dos protagonistas da Hollywood clássica.

As Paisagens Temáticas serão preenchidas de Cinemas, de salas que são abrigos da cidade, como em A Angústia do Guarda-redes no Momento do Penalty de Wim Wenders, de cidades inventadas pelo cinema, nos lugares das memórias de Federico Fellini e nos compartimentos e galerias da obra de Pedro Costa, ou distópicas e engolidas pelos géneros, como um filme negro em Macau, um subúrbio de Paris vigiado por drones, ou uma povoação do sertão brasileiro contaminada por John Carpenter.

O fértil período mexicano de Luís Buñuel, será o protagonista das Histórias do Cinema, quase duas décadas de produção, sob a influência dos modelos de Hollywood, no tratamento dos temas, símbolos e fetiches do cineasta aragonês, que terá continuação nas réplicas do Observatório de Cinema. Numa edição com uma forte presença da produção portuguesa, destaque na Fantasia Lusitana para o olhar de Pedro Filipe Marques, um percurso de documentários como reflexos justos do quotidiano, incluindo uma carta branca ao realizador, que escolheu A Costa dos Murmúrios de Margarida Cardoso.

Na continuidade da relação profícua com a comunidade escolar, as várias sessões e actividades completares a realizar também nas escolas, incluem propostas de animação e de documentário, e constituirá uma das facetas nucleares do programa, em diálogo com a restante programação do Close-up, mas também com um enfoque na passagem dos 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. O Café Kiarostami servirá música, a poesia de Buñuel e os vídeo-ensaios de Luís Azevedo; para Famílias, a diversidade das propostas de animação voltarão a reunir diferentes gerações na grande sala de cinema.

O poeta Pedro Mexia a acompanhar a queda do “macho” de melodrama em Ele de Buñuel, ou o reencontro da actriz Teresa Madruga com a Lisboa de Alain Tanner na nova cópia de A Cidade Branca: as sessões comentadas estendem-se por um programa de cerca de 30 sessões em oito dias, onde o espectador é convidado a participar no conjunto de perspectivas, da projecção de clarões e de sombras do Cinema, que ambicionam reconfigurar o nosso lugar na cidade.

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